Tireoide e autoimunidade

Hipotireoidismo e Hashimoto: como a alimentação pode ajudar?

Nutrientes que merecem atenção, intestino e glúten: um cuidado individualizado.

  • 3 min de leitura
  • Por Dra. Daniely Catharino Tooley
  • Revisado em setembro de 2026

Cansaço persistente, intestino preso, pele ressecada, queda de cabelo, maior sensibilidade ao frio, dificuldade de concentração e ganho de peso podem acompanhar o hipotireoidismo. Esses sintomas também podem ter outras causas e merecem investigação.

Em resumo

  • Hashimoto pode existir mesmo com TSH e T4 livre normais.
  • Priorize comida de verdade e evite dietas muito restritivas.
  • Iodo em excesso pode piorar a disfunção: não use Lugol ou suplementos de iodo por conta própria.
  • Retire o glúten apenas com indicação, e investigue doença celíaca antes.

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Hashimoto pode existir mesmo com os hormônios normais

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a tireoide. No início, os anticorpos podem estar elevados enquanto o TSH e o T4 livre permanecem normais. Isso é diferente do hipotireoidismo subclínico, em que o TSH está elevado e o T4 livre ainda está normal. O acompanhamento médico permite identificar quando há necessidade de tratamento hormonal.

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Por onde começar na alimentação?

Priorize comida de verdade: verduras, legumes, frutas, feijões, ovos, peixes e outras fontes de proteína, conforme sua tolerância. Varie os alimentos e reduza bebidas açucaradas, doces frequentes e ultraprocessados. Dietas muito restritivas podem dificultar a ingestão dos nutrientes de que o organismo precisa.

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Nutrientes que merecem atenção

Iodo

Necessário para produzir os hormônios da tireoide. Sal iodado em pequena quantidade, ovos, peixes e laticínios podem contribuir. Em Hashimoto, o excesso pode piorar a disfunção: evite usar Lugol, suplementos de iodo ou algas concentradas por conta própria.

Selênio

Participa do metabolismo dos hormônios tireoidianos e da proteção antioxidante. Está em peixes, ovos, carnes e castanha-do-pará. A quantidade na castanha varia bastante; a suplementação exige avaliação, e uma redução dos anticorpos não significa necessariamente melhora dos sintomas.

Zinco

Contribui para a função imunológica e o metabolismo hormonal. Inclua carnes, frutos do mar, feijões e sementes.

Manganês

Participa de enzimas relacionadas ao metabolismo e à defesa antioxidante. Está em cereais integrais, leguminosas e oleaginosas. Sua deficiência é rara, e não há indicação estabelecida de suplementá-lo para tratar Hashimoto.

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Intestino e glúten: um cuidado individualizado

Constipação, diarreia, distensão abdominal e desconforto após as refeições merecem atenção. Cuidar do intestino envolve investigar a causa, ajustar fibras e hidratação e corrigir deficiências nutricionais. Alterações da permeabilidade intestinal são estudadas nas doenças autoimunes, mas não se deve presumir que toda pessoa com Hashimoto tenha esse problema ou que tratá-lo reverta a doença.

A retirada do glúten é necessária quando existe doença celíaca. Em pessoas com Hashimoto sem doença celíaca, os estudos ainda não demonstram benefício consistente para recomendar a exclusão a todos.

Se houver suspeita de doença celíaca, faça a investigação antes de retirar o glúten, pois a restrição pode alterar os resultados dos exames.

Ao longo da minha prática clínica, tenho observado melhora de sintomas em pacientes com Hashimoto após ajustes individualizados na alimentação e no cuidado intestinal, incluindo a retirada do glúten quando indicada. Essa experiência reforça a importância de avaliar cada pessoa: a resposta varia e não pode ser atribuída a uma única mudança.

Seu cuidado precisa considerar mais do que um exame isolado

Na consulta, avalio sua alimentação, sintomas, funcionamento intestinal, histórico e exames para construir uma estratégia nutricional adequada às suas necessidades, em conjunto com o acompanhamento médico. A alimentação complementa o tratamento e não substitui a reposição hormonal quando necessária.

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Dra. Daniely Catharino TooleyNutricionista clínica, funcional e ortomolecular · CRN3/6794

Referências (5)+
  1. American Thyroid Association. Hashimoto’s Thyroiditis.
  2. NIDDK. Hashimoto’s Disease; Diagnosis of Celiac Disease.
  3. American Thyroid Association. Selenium supplementation in Hashimoto’s thyroiditis (2024).
  4. NIH Office of Dietary Supplements. Manganese: Health Professional Fact Sheet.
  5. Effects of Gluten-Free Diet in Non-Celiac Hashimoto’s Thyroiditis. Nutrients, 2025;17:3437.

Conteúdo educativo para adultos. As orientações não substituem consulta, diagnóstico ou tratamento individual.